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O tema da diversidade já ocupa um espaço relevante nas organizações — e isso representa um avanço importante. No entanto, existe um aspecto significativo e negligenciado nessa seara, que diferencia as empresas diversas dos ambientes genuinamente inclusivos: a maneira como as pessoas são reconhecidas e valorizadas no dia a dia.
Não basta compor equipes diversas se, na prática, todas as pessoas recebem o mesmo tipo de reconhecimento. A inclusão se fortalece quando a liderança compreende que cada pessoa carrega motivações, expectativas e formas distintas de perceber a valorização. E é justamente nesse ponto que surgem desalinhamentos, mesmo quando há boa intenção.
O erro das lideranças
Em geral, as lideranças reconhecem a importância de valorizar suas equipes. Mas é um erro comum assumir que aquilo que funciona para você também funcionará para o outro.
Na prática, isso acontece quando o chefe elogia publicamente uma pessoa que prefere discrição, oferece bônus para quem valoriza tempo de qualidade ou delega tarefas desafiadoras como se isso fosse, por si só, uma forma de reconhecimento.
Sem perceber, você pode estar investindo energia em ações que não geram o impacto esperado. Não por falta de intenção, mas por falta de alinhamento com a personalidade de cada um.
Nos meus treinamentos de liderança inclusiva, utilizo um modelo que ajuda a tornar o reconhecimento mais assertivo: as cinco linguagens da valorização pessoal no ambiente de trabalho, do escritor americano Gary Chapman. Vamos a elas.
1. Palavras de afirmação
Essa é a minha principal forma de valorização. Nós nos sentimos valorizados por meio da comunicação clara e genuína. Um exemplo são mensagens de agradecimento após entregas importantes: “Cris, parabéns pelo seu treinamento” ou “Excelente o censo de diversidade e inclusão que você entregou”.
Também pode acontecer por meio de feedbacks específicos, que destacam contribuições reais e impactos concretos. Mais do que elogios genéricos, o importante é a autenticidade.
2. Tempo de qualidade
Aqui, o diferencial está na presença. Pessoas que se identificam com essa linguagem valorizam interações com atenção plena: conversas individuais sem interrupções, escuta ativa e interesse verdadeiro pelo seu desenvolvimento. Em rotinas aceleradas, dedicar tempo com qualidade se torna um sinal poderoso de respeito.
3. Atos de serviço
Nessa linguagem, o reconhecimento se materializa em atitudes. A liderança demonstra valorização ao apoiar em momentos críticos, remover obstáculos, facilitar processos ou compartilhar responsabilidades quando necessário. São ações que comunicam parceria e consideração de forma concreta.
4. Presentes
Costumo dizer que essa é uma linguagem que agrada a todas as pessoas. Pode ser o seu principal canal de valorização, mas também um secundário. Afinal, quem não gosta de um bônus?
Pequenos gestos também funcionam, como uma lembrança alinhada ao interesse da pessoa ou o reconhecimento de um momento importante. São formas simbólicas de demonstrar que alguém foi lembrado de maneira individual.
5. Toque físico (apropriado)
No ambiente profissional, essa linguagem deve sempre ser empregada com cautela e sensibilidade. Pode ser um gesto simples, como um aperto de mão ou uma celebração espontânea – eles poderão ser bem recebidos por algumas pessoas, desde que respeitem limites pessoais e culturais.
A inclusão se manifesta na forma como as pessoas se sentem valorizadas e respeitadas nas práticas do dia a dia. Ser uma liderança inclusiva dá trabalho, mas traz um resultado significativo tanto nas entregas do time quanto na performance individual.
Isso desenvolve a capacidade de observar, escutar e ajustar. Não parte de suposições, mas da curiosidade genuína em entender o que faz cada pessoa se sentir reconhecida. É um movimento que exige intenção e consistência, mas gera impactos diretos no engajamento, na confiança e na qualidade das relações.
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